Novas drogas no tratamento da hepatite crônica C
José Carlos Ferraz da Fonseca
Médico especialista em doenças do fígado (Hepatologia)
O tratamento atual da hepatite crônica C estaria baseado na associação clássica de duas drogas: o interferon peguilado e a ribavirina. O percentual de resposta virológica sustentável, ou seja, HCV-RNA negativo no soro (carga viral negativa do vírus da hepatite C) após seis meses do termino do tratamento (provável cura da infecção) é menor que 50% entre portadores do genótipo 1 do VHC. Por outro lado, entre portadores do genótipo 2 ou 3, a resposta virológica sustentável alcança percentuais bem maiores, que variam de 70% a 90%. Portanto, como podemos observar, mesmo após o tratamento, um número significativo de pacientes tratados permanecem positivos para o VHC e com doença hepática crônica progressiva. Na maioria dos casos, retratá-los com IFN peguilado + ribavirina tem sido frustrante, observando-se um percentual muito baixo de cura, variando 2% a 14%. O problema maior no retratamento é o aparecimento de resistência do VHC ao interferon.
Diversos fatores contribuem para o insucesso do tratamento atual e os principais seriam: resistência do VHC ao interferon peguilado; portadores do genótipo 1; redução das doses do interferon peguilado ou ribavirina em decorrência dos efeitos colaterais gravíssimos que ocorrem durante a terapia (anemia, queda acentuada no sangue das células brancas - leucócitos, depressão, síndrome do suicídio); suspensão definitiva da terapia antes do tempo previsto.
Desde 2001, ano da publicação dos primeiros trabalhos científicos sobre o uso da associação do interferon peguilado + ribavirina no tratamento da hepatite crônica C, a pesquisa de novas tem sido extenuante e os resultados finais (fase III) de alguns estudos tem sido animadores. Recentemente (outubro/novembro 2010), durante o congresso (Boston, MA) da Associação Americana de Estudos de Doenças do Fígado (AASLD), do qual participei, foram apresentados os resultados de diversos estudos (fase III) com duas novas drogas “inibidoras de protease”, denominadas farmacologicamente como telaprevir e boceprevir. As referidas drogas, de uso oral, foram sintetizadas por dois laboratórios internacionais, Vertex Pharmaceuticals e Merck &Co.,Inc. (MSD), respectivamente.
Podemos considerar os resultados como excelentes quando uma das drogas, seja o telaprevir ou boceprevir, foi associada ao interferon peguilado + ribavirina, principalmente entre pacientes virgens (naives) ao tratamento. Observa-se nesses estudos, o aumento bem maior da resposta virológica sustentada entre pacientes tratados portadores do VHC com genótipo 1. Todavia, os efeitos colaterais da associação interferon peguilado+ ribavirina + boceprevir ou telaprevir foram exacerbados, principalmente relacionados a anemia. De acordo com os autores desses estudos, índices percentuais muito grandes de anemia grave foram responsáveis pela descontinuidade do tratamento. Portanto, é importante frisar que quando iniciarmos o tratamento como uma das novas drogas, todo o cuidado é pouco e devemos priorizar o monitoramento do quadro hematológico do paciente.
Entre pacientes tratados previamente com interferon peguilado + ribavirina e considerados não respondedores (HCV-RNA positivo durante e após tratamento), o uso do telaprevir ou do boceprevir associado ao esquema clássico (interferon peguilado+ribavirina) revelou aumento considerável nas taxas de resposta virológica sustentável (HCV-RNA negativo no sangue após seis meses do termino do tratamento).
Aguarda-se para o próximo verão americano (junho ou julho de 2011) o lançamento comercial do telaprevir e do boceprevir. Temos a certeza de que com o advento dessas duas novas drogas, teremos em mãos mais uma arma no arsenal terapêutico contra a hepatite crônica C.
No meio cientifico e em futuro breve, acredita-se que para alcançarmos uma percentual de cura em quase 100% dos casos, ou seja, a total erradicação do VHC, novas drogas façam parte do “proposto quarteto terapêutico contra o VHC”: interferon peguilado + ribavirina + telaprevir ou boceprevir + nova droga. Os pesquisadores estão trabalhando neste sentido e dezenas de novas drogas estão sendo investigadas (fases I e II) no tratamento da hepatite crônica C. As principais seriam: danoprevir, vaniprevir, filibuvir, celgosivir, interferon peguilado lambda, BMS-790052, MK-7009, ACG -806, BMS-824393, silibinin, PSI 352938, IDX-375, ANA 598, IDX 184.
4 comentários:
ola doutor! que bom que o senhor explicou tudo direitinho rs tenho um cisto no figado de 10 cm e verdade achei que fosse morrer rs obrigado por ter tiradominhas duvidas que deus lhe abençoe
QUE COISA FANTÁSTICA UM BLOG COMO ESTE, EM PENSAR QUE ENCONTREI POR MERO ACASO, NÃO TENHO DUVIDAS DE QUE DEUS TEM TE ABENÇOADO MUITO,
O FATO DA LINGUAGEM SER PARA PESSOAS COMO EU, O FAZ SIMPLESMENTE DESLUMBRANTE, FÍGADO É COISA SÉRIA, E NECESSITA DE CUIDADOS E RESPEITO, AGRADEÇO PELA DISPOSIÇÃO EM AJUDAR - NO
UM GRANDE ABRAÇO!
CIRLENE BRAULINO
Dr. tenho o virus da Hepatite C, que adquiri com certeza em 2005.Me deram 20 anos de vida..achei que era suficiente,mas já se passaram 6 e agora reo para que consigam a cura.Estou bem..o virus "dorme",mas sei que ele trabalha em silêncio.Obrigada pelas explicações.Ana
Primeiramente, parabéns pelo Blog. Gostaria de saber se seria possível um artigo sobre figado gorduroso ou esteatose hepática. Obrigado.
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